Sí, sí, pero que no
Infelizmente o ferido acabou... Foi bom enquanto durou (e olha que durou!). Depois de cinco dias só curtindo a mordomia é hora de cair na real e voltar ao trabalho e à faculdade também.
Sábado e domingo fizemos um passeio em família que há muito não tínhamos. Como bons consumistas fomos a Santana do Livramento e obviamente à Rivera. Foram dois dias de muitos risos, muitas fragrâncias, muito portunhol proposital, muitas sacolas...
Seguem algumas considerações sobre o passeio dos marinheiros de primeira viagem.
Estrada sem fim
Depois dessa entendi um pouco do que passam os caminhoneiros. Dá um soninho...
Devagar quase parando
O hotel em que nos hospedamos era bem confortável e perto das “compras”, o que é mais importantes. O único problema é que o pessoal de lá é muito lerdo.
Para levar um papel higiênico até nosso quarto demoraram cerca de 20 minutos. Mas o pior não foi isso.
Na noite de sábado resolvemos jantar no restaurante do próprio hotel. Pedimos três pratos, desses cheios de nomes frescos, para nós quatro, já que a mãe e eu estamos de dieta e comemos pouco.
Com a demora para servir os tais pratos, eu acabei perdendo a fome. Quando chegaram as refeições vi que não dava pra dividir e nenhuma delas me “apeteceu”. Resolvi então pedir uma sopinha, que a meu ver seria rápido já que seria necessário apenas dar uma esquentadinha.

Quando ele abriu a tal sopeira eu dei de cara com uns "capeletis" boiando. Mas a minha sopa era de ervilha!? O garçom ficou com uma cara de tacho, pediu desculpas e saiu à procura do cliente do capeletti. Mais uns dez minutos e enfim apareceu a minha sopa de ervilha. Eu só me lembrava da sopa que a minha mãe sempre faz, já estava sonhando com ela.
Quando o rapaz apareceu e abriu a tal sopeira nos deparamos com um creme verde limão que não parecia nenhum pouco apetitoso.
Todos se olharam e fizeram uma cara de “tu vai comer isso”. Aquela altura da noite, depois de esperar quase uma hora por uma sopa, eu comi bem feliz, jurando que ia demorar tanto para comer aquela sopa que eles não conseguiriam fechar o restaurante no horário costumeiro.
Quem dera, não consegui me “vingar”. Eu estava com tanto sono que acabei comendo minha sopinha e indo dormir.
Mas uma foto da sopa radioativa eu não pude deixar de tirar, né!?
Cuánto cuesta?
Nós brincamos tanto com nosso magnífico “portuñol” durante as semanas que antecederam a viagem que na hora fiquei com vergonha de perguntar quanto custava um tal chá. Na verdade o vendedor me pegou de surpresa, eu não esperava que ele ia me abordar daquele jeito. Daí eu larguei um “Cuánto cuesta” bastante encabrunhado e saí de fininho...
Pomelo? É de comer?

Pedimos dois entrecot com guarnición e uma ensalada multicolor. Traduzindo: dois a la minuta sem feijão e uma salada com batata, cenoura, vagem, beterraba, palmito, queijo, alface e azeitona.
Na hora de pedir a bebida quando iríamos largar um “cueca-cuela” o garçom nos ofereceu um refrigerante de pomelo. Capaz que eu não ia pelo menos experimentar, né!?
E sabe que o negócio é bom! Fabricação da Coca-cola (ou em espanhol “cueca-cuela”, rsrsrs), feito à base de pomelo, uma fruta cítrica parecida por fora com uma goiaba e por dentro com uma laranja, dessas frutas que a gente só encontra nos livros de espanhol sabe?!
Nada criativos
Sabe que foto de turista é sempre igual. Pelo menos nos marcos históricos das cidades visitadas. Como não podia faltar tiramos uma fotografia na praça internacional, bem na divisa entre Brasil e Uruguai.
Depois de tirar todas as fotos em família resolvi tirar uma última foto, dessas que a gente vira a câmera, aponta pro nada e seja o que Deus quiser.
Foi nessa hora que uma menina de no máximo doze anos puxou assunto comigo. Eu já tinha notado a presença dela em todas as fotos anteriores (vai me dar um trabalhão no photoshop) mas ela ainda não tinha nos abordado.
Tadinha dela...como eu ia explicar que não dou bola nem para os partidos daqui quanto mais para os dos uruguaios que eu nem conheço.
Nem lembro o que respondi para ela. Sei que por fim ela me perguntou se eu tinha “real”. Eu disse que no Brasil o nosso dinheiro era real e ela me pediu. Tive que lembrá-la que no início de nossa conversa eu já tinha dado a moedinha que tinha no bolso e que por acaso era em real.
O mais interessante foi que a menina me perguntou quinhentas coisas como se eu fosse uruguaia e como se ela fosse uruguaia também, com o detalhe de que ela era tão brasileira quanto eu. Vai entender. Deve ser a confluência dos dois países. Juro que não perdi a paciência com a meninas. Nem poderia, já que estava na Fronteira da Paz.
Dicionário de sobrevivência em Rivera:
- ¿Cuánto cuesta?
- Descuento
- Regalo
- Gracias
Sabendo essas quatro palavrinhas não precisa de mais nada!
Não me apresente a mãe dele
Considerações finais:
- Sempre pode haver mais estrada no final da curva ou da lomba. Não desista! Um dia você chega lá.
- Depois de entrar na décima loja de perfumes a gente passa a sentir saudade de cheiro de suor.
- Meio dia em um lugar já é suficiente para absorver o sotaque do povo local.
- Se alguém for a Rivera fale comigo antes. Provavelmente não terei muitas dicas mas quem sabe algumas encomendas.
Valeu a pena! Agora é planejar a viagem de páscoa.